O livro de Mateus é o primeiro dos quatro evangelhos do Novo Testamento, que narram a vida, os ensinamentos e os milagres de Jesus Cristo. Mas você sabia que esse livro tem muitas curiosidades e particularidades que o tornam único e especial? Neste artigo, vamos conhecer 10 curiosidades sobre o livro de Mateus que vão te surpreender e te ajudar a entender melhor a sua mensagem.
Quem foi Mateus?
A primeira curiosidade é sobre o autor do livro. Quem foi Mateus? A tradição da igreja atribui a autoria do livro a Mateus, um dos doze apóstolos de Jesus, que antes era um cobrador de impostos para o império romano. Ele é chamado de Levi em Marcos 2:14 e Lucas 5:27, mas em Mateus 9:9 ele é chamado pelo seu nome hebraico, Mateus, que significa “dom de Deus”. Ele foi chamado por Jesus para segui-lo e se tornou um dos seus discípulos mais fiéis.
Mateus era judeu e provavelmente escreveu o seu evangelho em aramaico, a língua dos judeus da Palestina na época de Jesus. Ele tinha como público-alvo os judeus convertidos ao cristianismo, por isso ele enfatiza o cumprimento das profecias do Antigo Testamento em Jesus, mostrando que ele é o Messias esperado por Israel. Ele também usa muitos termos e costumes judaicos sem explicá-los, pois ele supõe que os seus leitores já os conhecem.
Qual é a estrutura do livro?
A segunda curiosidade é sobre a estrutura do livro. Como Mateus organizou o seu evangelho? Uma característica marcante do livro de Mateus é que ele divide o seu conteúdo em cinco grandes blocos temáticos, cada um com uma introdução narrativa e uma conclusão com as palavras “E aconteceu que, concluindo Jesus este discurso…” (7:28; 11:1; 13:53; 19:1; 26:1). Esses blocos são:
- O discurso da montanha (capítulos 5-7), onde Jesus ensina sobre a ética do reino de Deus.
- O discurso da missão (capítulo 10), onde Jesus envia os seus discípulos para pregar o evangelho.
- O discurso das parábolas (capítulo 13), onde Jesus explica o mistério do reino de Deus por meio de histórias ilustrativas.
- O discurso da igreja (capítulo 18), onde Jesus instrui os seus discípulos sobre a vida comunitária e o perdão.
- O discurso escatológico (capítulos 24-25), onde Jesus fala sobre os sinais do fim dos tempos e o julgamento final.
Essa estrutura lembra os cinco livros da Lei (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio), que eram a base da fé judaica. Assim, Mateus mostra que Jesus é o novo Moisés, que traz a nova aliança de Deus com o seu povo.
Quais são os símbolos do livro?
A terceira curiosidade é sobre os símbolos do livro. Quais são os elementos simbólicos que Mateus usa para destacar a sua mensagem? Um dos símbolos mais frequentes no livro de Mateus é o número sete, que na Bíblia representa a perfeição e a plenitude. Veja alguns exemplos:
- Mateus começa o seu evangelho com uma genealogia de Jesus dividida em três grupos de catorze gerações cada (1:17), ou seja, duas vezes sete gerações.
- Mateus registra sete bem-aventuranças no sermão da montanha (5:3-10), que são as bênçãos prometidas aos que vivem segundo o reino de Deus.
- Mateus relata sete milagres de Jesus antes do primeiro discurso (8:1-9:34), mostrando o seu poder e autoridade sobre a natureza, as doenças, os demônios e o pecado.
- Mateus apresenta sete parábolas sobre o reino de Deus no terceiro discurso (13:1-52), revelando o seu significado e o seu crescimento.
- Mateus narra sete “ais” contra os escribas e fariseus no capítulo 23, denunciando a sua hipocrisia e oposição a Jesus.
- Mateus descreve sete petições na oração do Pai Nosso (6:9-13), que ensina como devemos nos relacionar com Deus e com o próximo.
Outro símbolo importante no livro de Mateus é a estrela, que aparece no capítulo 2, guiando os magos do oriente até o lugar onde Jesus nasceu. A estrela representa a luz de Deus que brilha nas trevas e revela o seu Filho ao mundo. Ela também lembra a profecia de Números 24:17, que diz: “De Jacó sairá uma estrela, de Israel se levantará um cetro”. Assim, Mateus mostra que Jesus é o rei prometido a Israel e às nações.
Quais são as citações do livro?
A quarta curiosidade é sobre as citações do livro. Quais são as fontes que Mateus usa para embasar o seu evangelho? Uma das fontes mais evidentes no livro de Mateus é o Antigo Testamento, que ele cita mais de sessenta vezes, sendo quarenta delas diretas e vinte indiretas. Ele usa uma fórmula típica para introduzir as citações, dizendo: “para que se cumprisse o que foi dito pelo Senhor por intermédio do profeta” (1:22; 2:15; 4:14; etc.). Ele também usa outras variações, como “está escrito” (4:4; 11:10; 21:13; etc.), “assim como disse Isaías, o profeta” (3:3), “como foi anunciado pelos profetas” (2:23), “como está escrito nos profetas” (13:35), etc.
As citações do Antigo Testamento servem para mostrar que Jesus é o cumprimento das promessas de Deus feitas aos patriarcas, aos reis e aos profetas de Israel. Ele é o descendente de Abraão (1:1), o filho de Davi (1:1), o Emanuel (1:23), o libertador do Egito (2:15), o pastor de Israel (2:6), o servo sofredor (8:17; 12:17-21), o filho do homem (24:30; 26:64), etc.
Outra fonte que Mateus usa é o evangelho de Marcos, que ele segue em grande parte da sua narrativa, mas com algumas adaptações e acréscimos. Mateus copia cerca de noventa por cento do conteúdo de Marcos, mas ele omite alguns detalhes que poderiam ofender os judeus, como a ignorância dos discípulos, a repreensão de Jesus à sua mãe e aos seus irmãos, a transgressão da lei do sábado, etc. Ele também acrescenta alguns relatos que não estão em Marcos, como a genealogia e a infância de Jesus, os magos do oriente, a fuga para o Egito, a ressurreição dos santos, a guarda do sepulcro, etc.
Além do Antigo Testamento e do evangelho de Marcos, Mateus também usa uma fonte chamada Q, que significa Quelle, palavra alemã que significa “fonte”. Essa fonte seria uma coleção de ditos e ensinamentos de Jesus que circulava entre os primeiros cristãos. Ela não foi preservada como um documento separado, mas pode ser reconstruída a partir dos trechos comuns entre Mateus e Lucas que não estão em Marcos. Esses trechos incluem algumas parábolas famosas, como a do filho pródigo, a do bom samaritano, a da dracma perdida, etc.
Quais são as exclusividades do livro?
A quinta curiosidade é sobre as exclusividades do livro. Quais são as informações que só encontramos no evangelho de Mateus? Além dos relatos já mencionados que não estão em Marcos, Mateus também tem algumas informações que não estão em nenhum outro livro.
- Mateus é o único evangelho que usa o termo “igreja” (ekklesia) para se referir à comunidade dos discípulos de Jesus (16:18; 18:17). Ele também é o único que registra as instruções de Jesus sobre como lidar com os conflitos e os pecados na igreja (18:15-20).
- Mateus é o único evangelho que menciona a visita dos magos do oriente ao menino Jesus (2:1-12). Ele também é o único que relata a fuga da família de Jesus para o Egito, para escapar da perseguição de Herodes (2:13-15), e o seu retorno à Palestina, depois da morte de Herodes (2:19-23).
- Mateus é o único evangelho que narra a ressurreição de muitos santos no momento da morte de Jesus (27:51-53). Ele também é o único que conta a história da guarda do sepulcro, que foi selado e vigiado pelos soldados romanos, para evitar que o corpo de Jesus fosse roubado (27:62-66; 28:11-15).
- Mateus é o único evangelho que registra a grande comissão de Jesus aos seus discípulos, antes da sua ascensão aos céus (28:16-20). Ele também é o único que termina o seu livro com a promessa de Jesus de estar com os seus seguidores todos os dias, até o fim dos tempos (28:20).
Quais são as profecias do livro?
A sexta curiosidade é sobre as profecias do livro. Quais são as predições que Mateus faz sobre o futuro? Uma das profecias mais importantes do livro de Mateus é a que se refere à destruição do templo de Jerusalém, que aconteceu no ano 70 d.C., cerca de quarenta anos depois da morte e ressurreição de Jesus. Mateus registra que Jesus predisse esse evento, quando ele disse aos seus discípulos: “Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derrubada” (24:2). Ele também relata que Jesus lamentou sobre a cidade, dizendo: “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados! Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das asas, e não quiseste! Eis que a vossa casa vos ficará deserta” (23:37-38).
Outra profecia relevante do livro de Mateus é a que se refere à segunda vinda de Jesus, que ainda não se cumpriu. Mateus registra que Jesus falou sobre os sinais que antecederiam a sua volta, como guerras, fomes, pestes, terremotos, falsos profetas, perseguições, apostasia, etc. (24:4-14). Ele também relata que Jesus comparou a sua vinda com a do dilúvio nos dias de Noé, dizendo que seria repentina e inesperada (24:36-39). Ele ainda descreve que Jesus usou várias parábolas para ilustrar a necessidade de vigilância e preparação para esse dia, como a das dez virgens, a dos talentos e a das ovelhas e dos bodes (25:1-46).
Quais são as lições do livro?
A sétima curiosidade é sobre as lições do livro. Quais são os ensinamentos que Mateus nos transmite através do seu evangelho? Uma das lições mais importantes do livro de Mateus é a sobre a justiça do reino de Deus, que é superior à justiça dos homens. Mateus mostra que Jesus veio para cumprir a lei e os profetas, não para abolir (5:17), mas para revelar o seu verdadeiro sentido e propósito. Ele ensina que os seus seguidores devem praticar uma justiça maior do que a dos escribas e fariseus, que se baseava na aparência externa e na observância formal dos mandamentos (5:20). Ele mostra que a justiça do reino envolve o amor a Deus e ao próximo, a misericórdia, a humildade, a pureza, a paz, a fidelidade, etc. (5:3-12; 22:34-40).
Outra lição fundamental do livro de Mateus é a sobre a autoridade de Jesus, que é reconhecida por Deus e pelos homens. Mateus mostra que Jesus é o Filho de Deus, que recebeu todo o poder no céu e na terra (28:18). Ele demonstra que Jesus tem autoridade para ensinar (7:28-29), para perdoar pecados (9:6), para curar enfermos (8:16-17), para expulsar demônios (8:28-34), para acalmar tempestades (8:23-27), para alimentar multidões (14:13-21), para transfigurar-se (17:1-8), para ressuscitar mortos (28:1-10), etc. Ele revela que Jesus é o Senhor, que merece toda a adoração e obediência dos seus discípulos (28:9; 28:17).
Quais são as dificuldades do livro?
A oitava curiosidade é sobre as dificuldades do livro. Quais são os desafios que Mateus nos apresenta para compreender e aplicar o seu evangelho? Uma das dificuldades do livro de Mateus é a de harmonizar os seus relatos com os dos outros evangelhos, que às vezes apresentam diferenças ou contradições aparentes. Por exemplo, Mateus diz que Jesus nasceu em Belém (2:1), mas Lucas diz que ele nasceu em Nazaré (2:4). Mateus diz que os magos visitaram Jesus em uma casa (2:11), mas Lucas diz que eles o encontraram em uma manjedoura (2:16). Mateus diz que o centurião foi pessoalmente pedir a Jesus que curasse o seu servo (8:5-13), mas Lucas diz que ele enviou uns anciãos dos judeus e uns amigos para fazer o pedido (7:1-10). Mateus diz que Judas se enforcou depois de trair Jesus (27:5), mas Atos diz que ele caiu de cabeça e se arrebentou (1:18).
Essas e outras diferenças podem ser explicadas de várias formas, como por exemplo, pela liberdade literária dos autores, pela seleção e ordenação dos fatos, pela adaptação ao público-alvo, pela complementaridade das perspectivas, pela tradução das línguas originais, etc. O importante é reconhecer que os quatro evangelhos são inspirados por Deus e têm como objetivo revelar a verdade sobre Jesus Cristo.
Outra dificuldade do livro de Mateus é a de interpretar as suas profecias, especialmente as que se referem à segunda vinda de Jesus. Por exemplo, Mateus diz que essa geração não passará sem que tudo isso aconteça (24:34), mas já se passaram quase dois mil anos e Jesus ainda não voltou. Mateus diz que ninguém sabe o dia nem a hora da vinda do Filho do homem (24:36), mas muitos já tentaram calcular e prever esse dia. Mateus diz que haverá sinais no céu e na terra antes da vinda de Jesus (24:29-31), mas muitos já interpretaram esses sinais de formas diferentes e contraditórias.
Essas e outras profecias devem ser entendidas com cuidado e discernimento, levando em conta o contexto histórico, cultural e literário em que foram proferidas. Elas também devem ser aplicadas com fé e esperança, sem cair no fanatismo ou no ceticismo. O essencial é estar preparado para encontrar-se com Jesus, seja na sua vinda ou na nossa morte.
Quais são as curiosidades sobre o livro de mateus?
A nona curiosidade é sobre as curiosidades do livro. Quais são os fatos interessantes ou surpreendentes que Mateus nos conta sobre o seu evangelho? Uma das curiosidades do livro de Mateus é a sobre os nomes das mulheres na genealogia de Jesus.
- Mateus lista quarenta e dois nomes masculinos na sua genealogia, mas ele inclui também cinco nomes femininos, que são Tamar, Raabe, Rute, Bate-Seba e Maria (1:3; 1:5; 1:6; 1:16). Isso é incomum na cultura judaica, que normalmente não mencionava as mulheres nas genealogias. Além disso, essas mulheres têm histórias peculiares ou escandalosas na Bíblia. Tamar se disfarçou de prostituta para engravidar do seu sogro Judá (Gênesis 38). Raabe era uma prostituta cananeia que ajudou os espias israelitas em Jericó (Josué 2). Rute era uma moabita que se casou com Boaz, um parente de seu falecido marido (Rute 4). Bate-Seba era a esposa de Urias, um soldado de Davi, que cometeu adultério com o rei e gerou Salomão (2 Samuel 11-12). Maria era a mãe de Jesus, que concebeu pelo Espírito Santo, antes de se casar com José (Mateus 1:18-25). Ao incluir essas mulheres na genealogia de Jesus, Mateus mostra que Deus é soberano e gracioso, e que ele pode usar pessoas improváveis e pecadoras para cumprir o seu plano de salvação.
- Outra curiosidade do livro de Mateus é a sobre os números dos peixes e dos pães na multiplicação dos alimentos. Mateus registra dois milagres de Jesus em que ele alimentou grandes multidões com poucos peixes e pães. No primeiro milagre, ele alimentou cerca de cinco mil homens, além de mulheres e crianças, com cinco pães e dois peixes (14:13-21). No segundo milagre, ele alimentou cerca de quatro mil homens, além de mulheres e crianças, com sete pães e alguns peixinhos (15:32-39). Esses números têm um significado simbólico na Bíblia. O número cinco representa a graça de Deus, que supre as nossas necessidades. O número dois representa a testemunha fiel, que confirma a verdade. O número sete representa a perfeição e a plenitude de Deus, que faz além do que pedimos ou pensamos. O número quatro representa a universalidade da salvação, que alcança todos os povos. Ao multiplicar os peixes e os pães nessas quantidades, Jesus mostra que ele é o pão da vida, que sacia a fome espiritual de todos os que creem nele.
Qual é a conclusão do livro?
A décima e última curiosidade é sobre a conclusão do livro. Qual é o desfecho que Mateus nos dá para o seu evangelho? A conclusão do livro de Mateus é a sobre a ressurreição e a ascensão de Jesus Cristo. Mateus narra que no terceiro dia após a sua morte na cruz, Jesus ressuscitou dos mortos, vencendo o pecado e a morte (28:1-10). Ele também conta que Jesus apareceu aos seus discípulos em uma montanha na Galileia, onde lhes deu a sua grande comissão: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado” (28:19-20). Ele ainda relata que Jesus subiu aos céus diante dos seus discípulos, prometendo-lhes estar com eles todos os dias, até o fim dos tempos (28:20).
Essa conclusão mostra que Jesus é o Senhor ressurreto e glorificado, que tem todo o poder no céu e na terra. Ela também mostra que Jesus é o Salvador missionário e compassivo, que envia os seus discípulos para levar o seu evangelho a todas as nações. Ela ainda mostra que Jesus é o Amigo presente e fiel, que acompanha os seus seguidores em todas as circunstâncias.
Esse é o fim do meu artigo sobre curiosidades sobre o livro de Mateus. Espero que você tenha gostado e aprendido algo novo. Se você tiver alguma dúvida, comentário ou sugestão, por favor, deixe a sua opinião sincera abaixo. Obrigado pela sua atenção e até a próxima! 😊


Sou Helena Duarte, a fundadora apaixonada por trás do Ritual Core. Minha missão é compartilhar essa riqueza de conhecimento e experiência, guiando você em sua própria jornada de descoberta dentro do mundo transformador dos rituais sagrados.






