5 Coisas que Você Precisa Saber sobre a Torá

A Torá é um dos livros mais importantes e influentes da história da humanidade. Ela é a base da religião judaica, mas também tem relevância para outras tradições, como o cristianismo e o islamismo. Mas você sabe o que é a Torá, como ela surgiu, o que ela contém e como ela é lida e interpretada pelos judeus? Neste artigo, vamos responder essas e outras perguntas sobre esse fascinante texto sagrado. Acompanhe!

O que é a Torá?

A palavra hebraica Torá significa “ensinamento”, “instrução” ou “lei”. Ela se refere ao conjunto dos cinco primeiros livros da Bíblia, que são: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. Esses livros narram desde a criação do mundo até a morte de Moisés, passando pela história dos patriarcas, a libertação do povo de Israel da escravidão no Egito, a aliança com Deus no monte Sinai, a peregrinação pelo deserto e a chegada à terra prometida.

A Torá é considerada pelos judeus como a revelação direta de Deus a Moisés, que escreveu os livros sob inspiração divina. Ela contém 613 mandamentos que orientam os judeus sobre como devem viver em obediência e harmonia com Deus e com o próximo. A Torá é o fundamento da fé e da ética judaicas, e é vista como um guia para todas as gerações.

A Torá também pode se referir ao ensino oral que acompanha e explica o texto escrito. Esse ensino oral foi transmitido de geração em geração pelos sábios e rabinos, até ser compilado nas obras conhecidas como Mishná e Talmude. Essas obras contêm comentários, interpretações, debates e aplicações da Torá para diversas situações da vida.

Como surgiu a Torá?

A origem da Torá remonta ao período do êxodo do povo de Israel do Egito, que ocorreu entre os séculos XIII e XII a.C. Segundo a tradição judaica, Deus escolheu Moisés como seu profeta e líder para libertar os israelitas da opressão do faraó. Após atravessar o mar Vermelho, o povo chegou ao monte Sinai, onde Deus estabeleceu uma aliança com eles.

Nessa ocasião, Deus entregou a Moisés as duas tábuas de pedra com os dez mandamentos escritos com seu próprio dedo. Além disso, Deus comunicou a Moisés outros mandamentos e instruções sobre diversos aspectos da vida religiosa e social dos israelitas. Moisés escreveu esses mandamentos em um livro, que foi chamado de “Livro da Aliança” (Êxodo 24:7).

Durante os quarenta anos que o povo vagou pelo deserto em direção à terra prometida, Moisés continuou recebendo revelações de Deus e registrando-as por escrito. Assim, ele compôs os cinco livros que formam a Torá escrita. Antes de morrer, Moisés entregou os livros aos sacerdotes levitas, que ficaram responsáveis por guardá-los e ensiná-los ao povo (Deuteronômio 31:9-13).

Além da Torá escrita, Moisés também transmitiu oralmente aos anciãos e aos profetas alguns ensinamentos que não foram registrados por escrito. Esses ensinamentos eram considerados complementares e esclarecedores da Torá escrita, e eram passados de mestre para discípulo ao longo dos séculos. Por volta do século II d.C., esses ensinamentos orais foram organizados e codificados na obra chamada Mishná, que significa “repetição”. A Mishná foi posteriormente ampliada e comentada na obra chamada Talmude, que significa “estudo”. Juntas, essas obras formam a Torá oral.

O que contém a Torá?

A Torá contém uma variedade de gêneros literários, como narrativas históricas, genealogias, leis civis e religiosas, poemas, discursos, bênçãos, maldições, profecias e cânticos. Ela abrange desde os primórdios da humanidade até o final do século XIII a.C., cobrindo cerca de dois mil anos de história.

A Torá pode ser dividida em quatro grandes seções, de acordo com o seu conteúdo:

  • A seção primeva: compreende os onze primeiros capítulos do livro de Gênesis, que narram a criação do mundo, a queda do homem, o dilúvio, a torre de Babel e a dispersão das nações.
  • A seção patriarcal: compreende os capítulos 12 a 50 do livro de Gênesis, que narram a história dos patriarcas Abraão, Isaque, Jacó e José, e a formação do povo de Israel.
  • A seção da libertação: compreende os livros de Êxodo, Levítico e Números, que narram a saída do povo de Israel do Egito, a aliança com Deus no Sinai, a organização do culto e da sociedade israelita, e a peregrinação pelo deserto até as fronteiras da terra prometida.
  • A seção da renovação: compreende o livro de Deuteronômio, que narra os últimos discursos de Moisés antes de sua morte, nos quais ele relembra os feitos de Deus, reafirma os mandamentos da aliança e exorta o povo à fidelidade e à obediência.

A Torá também contém 613 mandamentos que regulam a vida dos israelitas em relação a Deus e ao próximo. Esses mandamentos são divididos em duas categorias: os mandamentos positivos (248), que ordenam o que deve ser feito; e os mandamentos negativos (365), que proíbem o que não deve ser feito. Alguns exemplos de mandamentos positivos são: amar a Deus, honrar os pais, guardar o sábado, celebrar as festas, ofertar os dízimos, praticar a justiça e a misericórdia. Alguns exemplos de mandamentos negativos são: não ter outros deuses, não fazer imagens de escultura, não tomar o nome de Deus em vão, não matar, não adulterar, não roubar, não mentir.

Como é lida e interpretada a Torá?

A Torá é lida publicamente nas sinagogas pelos judeus em dias específicos da semana e do ano. A leitura é feita em hebraico antigo, a língua original da Torá. A leitura é acompanhada por uma tradução ou explicação em hebraico moderno ou na língua local. A leitura é feita em um rolo especial chamado Sefer Torá, que é tratado com muito respeito e reverência.

A Torá é dividida em 54 porções chamadas parashot (singular: parashá), que são lidas sequencialmente ao longo do ano. Cada parashá tem um nome derivado da primeira palavra significativa do texto. Cada parashá também tem uma subdivisão chamada aliyah (plural: aliyot), que significa “subida”. Cada aliyah corresponde a uma parte do texto que é lida por uma pessoa diferente. Em geral, há sete aliyot por parashá.

A leitura da Torá segue um ciclo anual que começa no feriado de Simchat Torá (Alegria da Torá), que ocorre logo após o feriado de Sucot (Festa das Cabanas), no mês de Tishrei (setembro-outubro). Nesse dia, termina-se a leitura da última parashá do livro de Deuteronômio e começa-se a leitura da primeira parashá do livro de Gênesis. Assim, renova-se o estudo da Torá a cada ano.

A leitura da Torá é feita nos seguintes dias:

  • Nas manhãs de sábado (Shabat), que é o dia sagrado da semana para os judeus.
  • Nas segundas e quintas-feiras pela manhã.
  • Nas manhãs dos feriados judaicos (Rosh Hashaná, Yom Kipur, Pessach, Shavuot e Sucot).
  • Nas tardes das vésperas dos feriados judaicos.
  • Nas manhãs das festas menores
  • Nas manhãs das festas menores (Chanucá, Purim, Tu Bishvat, etc.).

A leitura da Torá é acompanhada por outras leituras que complementam e enriquecem o seu significado. Essas leituras são:

  • A haftará: é uma porção dos livros dos profetas (Neviim) que tem alguma relação temática ou histórica com a parashá da semana. A haftará é lida após a última aliyah da Torá, e tem um nome derivado da primeira palavra significativa do texto.
  • O brit chadashá: é uma porção dos livros do Novo Testamento (B’rit Chadashá) que tem alguma relação com a parashá ou a haftará da semana. O brit chadashá é lido por alguns judeus messiânicos, que creem em Jesus como o Messias de Israel. O brit chadashá tem um nome derivado do livro, capítulo e versículo do texto.
  • A mishná: é uma porção da obra que contém a Torá oral, que explica e aplica a Torá escrita. A mishná é estudada por alguns judeus após a leitura da Torá, e tem um nome derivado do tratado, capítulo e parágrafo do texto.

A interpretação da Torá é feita de forma coletiva e dinâmica pelos judeus, que buscam compreender o sentido original e atual do texto. Para isso, eles usam diversos métodos e recursos, como:

  • A peshat: é o sentido literal e simples do texto, que leva em conta o contexto histórico, cultural e linguístico em que foi escrito.
  • O remez: é o sentido alusivo ou simbólico do texto, que revela uma mensagem oculta ou profunda por meio de alusões, parábolas ou códigos numéricos.
  • O derash: é o sentido homilético ou aplicativo do texto, que extrai lições morais ou espirituais para a vida prática por meio de analogias, comparações ou inferências.
  • O sod: é o sentido místico ou esotérico do texto, que desvenda os segredos divinos e cósmicos por meio de revelações, visões ou experiências transcendentais.

Esses quatro níveis de interpretação são conhecidos pela sigla PaRDeS, que significa “paraíso” em hebraico. Eles representam as diferentes formas de acessar a sabedoria e a beleza da Torá.

Quais são as dúvidas comuns sobre a Torá?

A Torá é um livro fascinante, mas também complexo e misterioso. Por isso, muitas pessoas têm dúvidas sobre ela. Algumas das dúvidas mais comuns são:

  • A Torá é a mesma coisa que a Bíblia?
    Não exatamente. A Torá é a parte mais antiga e sagrada da Bíblia judaica (Tanach), que também inclui os livros dos profetas (Neviim) e os escritos (Ketuvim). A Bíblia cristã inclui a Bíblia judaica como o Antigo Testamento, mas também acrescenta os livros do Novo Testamento, que narram a vida de Jesus e dos primeiros cristãos. Além disso, há algumas diferenças na ordem, na divisão e na tradução dos livros entre as diferentes versões da Bíblia.
  • A Torá é verdadeira?
    Depende do que se entende por verdade. Para os judeus ortodoxos, a Torá é verdadeira no sentido de que ela foi revelada por Deus a Moisés, e que ela contém fatos históricos e científicos exatos. Para os judeus liberais, a Torá é verdadeira no sentido de que ela expressa a experiência religiosa e cultural do povo de Israel, e que ela contém valores éticos e espirituais universais. Para os não-judeus, a Torá pode ser verdadeira no sentido de que ela oferece uma visão de mundo interessante e inspiradora, e que ela contribui para o patrimônio cultural da humanidade.
  • A Torá é relevante para os dias de hoje?
    Sim. A Torá é relevante para os dias de hoje porque ela trata de temas atemporais e essenciais para a vida humana, como o sentido da existência, a origem do mal, a relação com o sagrado, a identidade do povo, a ética da convivência, a esperança do futuro, entre outros. A Torá também é relevante porque ela é a fonte de muitas tradições, costumes, leis, artes, ciências e filosofias que influenciam a cultura ocidental e oriental. A Torá é um livro que desafia, ilumina e transforma quem o lê com atenção e respeito.

Conclusão

Neste artigo, vimos o que é a Torá, como ela surgiu, o que ela contém e como ela é lida e interpretada pelos judeus. Vimos também que a Torá é um livro sagrado, antigo e atual, que tem muito a nos ensinar sobre Deus, sobre nós mesmos e sobre o mundo.

Esperamos que você tenha gostado deste artigo e que tenha se interessado em conhecer mais sobre a Torá. Se você tiver alguma dúvida, sugestão ou opinião sobre o tema, deixe um comentário abaixo. Nós ficaremos felizes em responder. E não se esqueça de compartilhar este artigo com seus amigos nas redes sociais.

Um abraço e até a próxima! Shalom!

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