A lectio divina é uma forma de leitura orante da Palavra de Deus, que nos ajuda a entrar em comunhão com ele e a aplicar os seus ensinamentos à nossa vida. Ela é uma tradição muito antiga na Igreja Católica, que remonta aos primeiros séculos do cristianismo, e que foi revitalizada pelo Concílio Vaticano II e pelos últimos papas. Mas você sabe como fazer a lectio divina? Quais são os seus benefícios espirituais? Quais são as suas dificuldades e desafios? Neste artigo, vamos responder essas e outras perguntas, para que você possa praticar a lectio divina com mais profundidade e fruto. Vamos lá?
A História da Lectio Divina
A história da lectio divina começa com a própria história da Bíblia, que é a Palavra de Deus escrita, inspirada pelo Espírito Santo e transmitida pela Igreja. A Bíblia é o livro mais lido, mais traduzido e mais comentado de todos os tempos, mas também o mais difícil de entender e de interpretar. Por isso, desde os primeiros séculos do cristianismo, os fiéis buscaram formas de ler a Bíblia não apenas com a mente, mas também com o coração, não apenas com a razão, mas também com a fé.
Uma das formas mais antigas e mais difundidas de leitura orante da Bíblia é a lectio divina, que significa leitura divina ou leitura de Deus. Ela consiste em ler um trecho bíblico com atenção, meditar sobre ele com reflexão, rezar sobre ele com afeto e contemplar sobre ele com admiração. Ela também envolve agir sobre ele com obediência e compartilhar sobre ele com testemunho.
A lectio divina foi praticada pelos Padres da Igreja, pelos monges e pelas monjas, pelos santos e pelas santas, pelos doutores e pelas doutoras, pelos papas e pelos bispos, pelos sacerdotes e pelos religiosos, pelos leigos e pelas leigas, enfim, por todos aqueles que quiseram se alimentar da Palavra de Deus e se conformar à sua vontade.
A lectio divina foi ensinada por muitos autores espirituais, como Orígenes, Agostinho, Jerônimo, Gregório Magno, Bernardo de Claraval, Tomás de Aquino, Teresa de Ávila, Francisco de Sales, Inácio de Loyola, Teresa de Lisieux, João da Cruz, Edith Stein, Henri Nouwen, entre outros.
A lectio divina foi recomendada pelo Concílio Vaticano II, que afirmou: “O acesso às Sagradas Escrituras deve ser amplamente aberto aos fiéis” (Dei Verbum 22). Ela também foi incentivada pelos últimos papas, como Paulo VI, João Paulo II, Bento XVI e Francisco, que escreveram documentos e discursos sobre a importância da Palavra de Deus na vida da Igreja e dos cristãos.
Os Passos da Lectio Divina
A lectio divina é um método simples e flexível de leitura orante da Palavra de Deus, que pode ser adaptado às circunstâncias e às necessidades de cada pessoa. Ela pode ser feita individualmente ou em grupo, em qualquer lugar ou ocasião. Ela pode durar alguns minutos ou algumas horas. Ela pode seguir um plano ou uma inspiração. O importante é ter um coração aberto e disponível para acolher a Palavra de Deus e deixar-se transformar por ela.
A lectio divina pode ser dividida em sete passos: preparação, leitura (lectio), meditação (meditatio), oração (oratio), contemplação (contemplatio), ação (actio) e partilha (communicatio). Vejamos cada um deles:
- Preparação: é o momento de criar um ambiente favorável para a leitura orante da Palavra de Deus. É preciso escolher um lugar tranquilo e silencioso, onde não haja distrações ou interrupções. É preciso escolher um tempo adequado, onde não haja pressa ou ansiedade. É preciso escolher uma postura confortável, onde não haja cansaço ou tensão. É preciso invocar o Espírito Santo, que é o autor e o intérprete da Palavra de Deus, e pedir-lhe a luz e a graça para compreender e viver o que ele nos quer dizer.
- Leitura (lectio): é o momento de ler o texto bíblico com atenção e respeito. É preciso escolher um texto bíblico adequado, que pode ser tirado do lecionário litúrgico, do plano de leitura bíblica, da inspiração pessoal ou da indicação de alguém. É preciso ler o texto bíblico várias vezes, com calma e cuidado, procurando captar os seus detalhes, as suas palavras, as suas frases, os seus personagens, os seus acontecimentos, os seus sentimentos, os seus ensinamentos. É preciso anotar as dúvidas, as curiosidades, as dificuldades, as surpresas, as descobertas que o texto bíblico suscita.
- Meditação (meditatio): é o momento de meditar o texto bíblico com reflexão e profundidade. É preciso confrontar o texto bíblico com a própria vida, com a realidade do mundo, com a doutrina da Igreja, com a tradição dos santos. É preciso questionar o texto bíblico sobre o seu significado, sobre a sua mensagem, sobre a sua atualidade, sobre a sua exigência. É preciso dialogar com o texto bíblico sobre as suas dúvidas, as suas curiosidades, as suas dificuldades, as suas surpresas, as suas descobertas. É preciso ruminar o texto bíblico com o coração e com a mente, saboreando-o e assimilando-o.
- Oração (oratio): é o momento de rezar o texto bíblico com afeto e confiança. É preciso responder ao texto bíblico com a própria oração, que pode ser de louvor, de agradecimento, de súplica, de intercessão, de perdão, de oferta. É preciso expressar ao texto bíblico os próprios sentimentos, que podem ser de alegria, de gratidão, de admiração, de arrependimento, de tristeza, de angústia, de amor. É preciso pedir ao texto bíblico as graças e as bênçãos que necessitamos para a nossa vida. É preciso conversar com o texto bíblico como se conversa com um amigo íntimo, que nos escuta e nos compreende.
- Contemplação (contemplatio): é o momento de contemplar o texto bíblico com admiração e amor. É preciso acolher o texto bíblico como uma palavra de Deus para nós, que nos revela o seu rosto, o seu coração, o seu plano, o seu mistério. É preciso silenciar a mente e o coração, para escutar a voz de Deus que nos fala ao íntimo. É preciso adorar a Deus que se manifesta no texto bíblico, reconhecendo a sua grandeza, a sua bondade, a sua beleza. É preciso amar a Deus que se comunica no texto bíblico, entregando-lhe a nossa vida, a nossa vontade, o nosso amor.
- Ação (actio): é o momento de agir conforme o texto bíblico com obediência e generosidade. É preciso colocar em prática o texto bíblico, que nos ensina a fazer a vontade de Deus e a viver como discípulos de Jesus. É preciso transformar a nossa vida segundo o texto bíblico, que nos desafia a mudar as nossas atitudes, os nossos comportamentos, os nossos valores. É preciso testemunhar o texto bíblico, que nos envia a anunciar o Evangelho e a servir os irmãos. É preciso frutificar o texto bíblico, que nos promete a graça e a salvação de Deus.
- Partilha (communicatio): é o momento de partilhar o texto bíblico com os outros com comunhão e alegria. É preciso dialogar sobre o texto bíblico com os nossos irmãos na fé, que podem nos ajudar a compreender melhor e a viver melhor a Palavra de Deus. É preciso rezar com o texto bíblico com os nossos irmãos na oração, que podem nos unir mais a Deus e uns aos outros pela força do Espírito Santo. É preciso celebrar com o texto bíblico com os nossos irmãos na liturgia, que podem nos fazer participar mais plenamente do mistério de Cristo e da sua Igreja.
Esses são os sete passos da lectio divina, que podem ser seguidos com liberdade e criatividade, conforme as circunstâncias e as necessidades de cada pessoa. O importante é ter um coração aberto e disponível para acolher a Palavra de Deus e deixar-se transformar por ela.
As Dúvidas sobre a Lectio Divina
A lectio divina é uma forma de leitura orante da Palavra de Deus, que nos ajuda a entrar em comunhão com ele e a aplicar os seus ensinamentos à nossa vida. Ela é uma tradição muito antiga na Igreja Católica, que foi revitalizada pelo Concílio Vaticano II e pelos últimos papas. No entanto, ela também pode suscitar algumas dúvidas e questões nos seus praticantes e admiradores. Algumas das perguntas mais frequentes são:
- Qual é a origem da lectio divina? A origem da lectio divina está na própria Palavra de Deus, que é viva e eficaz, e que penetra até à divisão da alma e do espírito (Hb 4,12). Ela também está na própria experiência dos fiéis, que sempre buscaram formas de ler a Bíblia não apenas com a mente, mas também com o coração, não apenas com a razão, mas também com a fé.
- Qual é a diferença entre lectio divina e estudo bíblico? A diferença entre lectio divina e estudo bíblico está no objetivo e no método de cada um. O estudo bíblico visa conhecer melhor o texto bíblico em si mesmo, usando recursos como comentários, dicionários, concordâncias, mapas etc. O método do estudo bíblico é mais analítico e crítico. A lectio divina visa conhecer melhor Deus através do texto bíblico, usando recursos como a oração, a meditação, a contemplação etc. O método da lectio divina é mais sintético e afetivo.
- Qual é o benefício da lectio divina? O benefício da lectio divina é o de nos fazer crescer na intimidade com Deus e na santidade de vida. Ela nos faz escutar a voz de Deus que nos fala ao coração, nos faz responder a Deus com a nossa oração, nos faz contemplar a face de Deus que se revela na sua Palavra, nos faz agir conforme a vontade de Deus que se manifesta na sua Palavra, nos faz partilhar a graça de Deus que se comunica na sua Palavra.
A Conclusão do Artigo sobre a Lectio Divina
Neste artigo, nós vimos algumas coisas sobre a lectio divina, como a sua história, os seus passos, as suas dicas e as suas dúvidas. Esperamos que você tenha gostado e aprendido algo novo. Se você tiver alguma dúvida, comentário ou sugestão, por favor, deixe a sua opinião sincera abaixo. Obrigado pela sua atenção e até a próxima! 😊


Sou Helena Duarte, a fundadora apaixonada por trás do Ritual Core. Minha missão é compartilhar essa riqueza de conhecimento e experiência, guiando você em sua própria jornada de descoberta dentro do mundo transformador dos rituais sagrados.






